PEGADA TRANSUMANTE
PEGADA TRANSUMANTE
O projeto afirma-se como uma iniciativa educativa e artística que promove uma aprendizagem dinâmica, flexível e contemporânea, aliada à preservação do património material e imaterial ligado à transumância, à pastorícia e ao saber-fazer serrano. Assente nas artes plásticas, com destaque para a gravura, e sustentado pela itinerância, pela construção de redes no território e pela arte participativa comunitária, o projeto procura abrir novas possibilidades de relação entre escola, cultura e comunidade. Pretende exponenciar o acesso às artes, reconhecendo-as como motor pedagógico e social, e alargar a visão do futuro profissional, mostrando a crianças e jovens que podem ser curadores, gravuristas, criadores ou inventores de novas profissões.
O processo desenvolveu-se em estreita colaboração com a comunidade escolar da Vila do Paúl, envolvendo apresentações públicas, debates sobre transumância, pastorícia e paisagem, oficinas de gravura, conversas sobre os ofícios de uma exposição e todo o percurso prático de conceção, montagem, apresentação e desmontagem de uma mostra artística. A primeira exposição resultante esteve patente na Casa da Cultura José Marmelo e Silva, extensão da Biblioteca/Arquivo Municipal da Covilhã, com atividades conduzidas pelo coletivo ARTivos e pela escola neohumanista Pequena Ilha Verde, envolvendo as duas escolas do Paúl do Agrupamento de Escolas Frei Heitor Pinto.
Numa segunda fase, o projeto expandiu-se ao Município da Covilhã através do Plano Nacional das Artes e com a parceria do Museu de Lanifícios, onde decorreu um novo ciclo de conversas e oficinas — agora explorando o debuxo como tema relacionado com a transumância — culminando numa exposição final construída com a curadoria ativa da comunidade escolar. Esta exposição, que reuniu as produções das duas edições, foi inaugurada na FIADA, evento organizado pela Câmara Municipal da Covilhã, consolidando o projeto como um percurso de território, educação e criação artística participada.











Fotografias: João Versos Roldão
MEMÓRIA DAS AGULHAS
MEMÓRIA DAS AGULHAS
Memória das Agulhas é um projeto intergeracional e comunitário que promove o envelhecimento ativo, preserva o património ligado aos lanifícios da região e revitaliza as técnicas têxteis tradicionais, colocando-as no centro da criação artística contemporânea. Através de processos colaborativos e da curadoria de um artista visual, desenvolve-se uma instalação têxtil que resulta de encontros, oficinas e partilhas entre instituições culturais, grupos seniores e agentes criativos do concelho.
O projeto inicia-se na Festa da Santa Bebiana, onde o Lar das Oliveirinhas, o Centro de Assistência Nossa Senhora das Dores e a Santa Casa da Misericórdia da Covilhã participam em sessões comunitárias de criação de peças têxteis com os utentes e a comunidade local, seja no Paúl como na Covilhã. Como parceiros fundamentais, o Museu de Lanifícios desenvolve as técnicas de tecelagem, através dos seus teares e da memória museológica que detém em acervo e que fomenta enquanto serviço educativo, e o Clube Tricot & Companhia aborda as técnicas com agulhas, utilizando a lã local para adornar o têxtil, seja com bordado ou com malhas.
Este projecto ganha dimensão quanto se junta o colectivo A Avó Veio Trabalhar, um projeto de inclusão social e criatividade para pessoas com mais de 60 anos, que promove o envelhecimento ativo, valoriza saberes tradicionais e incentiva a produção artística e artesanal. Através de oficinas de bordado, tricot, croché, costura e outras técnicas têxteis, os participantes colaboram criando peças têxteis contemporâneas utilizando impressões dos rostos da comunidade em tecido e implementando técnicas têxteis para decorar essas peças. A partilha da experiência com a comunidade, fortalece os laços intergeracionais e combate o isolamento social. O projeto transforma a idade em recurso, colocando a experiência e a mestria sénior no centro da criação artística, preservando património cultural e fomentando autoestima, convívio e cidadania ativa.











Fotografias: João Versos Roldão
